O PCdoB comemora neste ano 91 anos de história, colecionando lutas, ideologias e conquistas, firmando-se como o mais antigo partido em funcionamento no Brasil. Fundado em 25 de março de 1922, o PCdoB participou de grandes acontecimentos brasileiros, como a Constituinte de 1945 e a Campanha O Petróleo é Nosso, a resistência à ditadura militar, as Diretas Já e a construção dos avanços sociais na nova democracia.

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Essa história teve capítulos importantes na cidade de Contagem, um dos grandes núcleos de trabalhadores do país, região fundamental para o desenvolvimento do país. Operários, professores, estudantes, líderes comunitários, comunistas foram muitos em todas as esferas de Contagem, desde a década de 1960. Superaram a clandestinidade, organizaram grandes greves operárias, participaram dos primeiros movimentos estudantis, principalmente em prol da Fundação de Ensino de Contagem (Funec). Nas décadas seguintes, com uma militância aguerrida, chegaram a um lugar jamais imaginado naquele período: elegeram o prefeito da cidade, Carlin Moura, em 2012.

Nossa história

A formação operária dos anos 60

Com a industrialização brasileira, as famílias migraram do interior para as cidades. Contagem, que já era um dos maiores polos da indústria diversificada do país, conhecida nacionalmente como “cidade industrial”. Enquanto isso, mundo afora as ideias marxistas ganhavam adeptos nos efervescentes anos 1960.

Com o golpe de 1964, muitos comunistas foram perseguidos e presos em Contagem, de acordo com o historiador Wellington Teixeira Gomes. O partido apagou durante alguns anos, vindo a se reorganizar a partir de 1967. “Os remanescentes que ficaram em Belo Horizonte e região metropolitana, grande parte dos comunistas de Minas, foram para a chamada Ala Vermelha. Esse é o partido que existe até hoje”, explica. Quem também conta um pouco dessa história é Vital Nolasco, filiado ao PCdoB desde 1971, que participou dos grandes movimentos sindicais da década de 60 e início de 70, tendo residido em Contagem por quatro meses, até ser perseguido pela repressão, quando foi obrigado a se mudar para São Paulo, onde está até hoje. “Naquela época todas as reuniões eram clandestinas, para se ter uma ideia em muitas ocasiões se chegava ao local com os olhos vendados”, relembra. “Era no movimento sindical que a gente se encontrava, durante as atividades”, explica o ex-sindicalista que participou, entre outras ações, da histórica greve de 1968, junto com o
Sindicato dos Metalúrgicos.

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Os anos 70 e resistência à ditadura

A década de 70 começou conturbada no Brasil e em Contagem. O Sindicato dos Metalúrgicos ganhava mais força com o sucesso da greve de 68. Porém, além de operários os comunistas eram também moradores de favelas,líderes comunitários, participavam ativamente dos movimentos sociais em uma cidade que começava a se desenvolver e que tinha graves problemas urbanos. Por isso, a partir da década de 70, a militância comunista também se misturava aos movimentos de bairro, concentrados em torno das paróquias da cidade, com apoio da igreja católica.

Quem participou do PCdoB Contagem nessa foi a deputada federal Jô Moraes. Ela chegou a Minas Gerais em fevereiro de 1972 e logo em seguida foi trabalhar no Centro Clínico Pedagógico Eldorado. Morando no bairro Industrial conheceu dois companheiros de luta, Maria Lúcia e Raimundo. Dentro dos movimentos de bairro, Jô se lembra de ter participado de várias lutas em prol de creches e outras melhorias para a população.

A deputada federal também viveu a perseguição política do regime militar. “Para fazer reunião tinha que ter cuidado redobrado. Os encontros tinham que ser com poucas pessoas e em lugares os mais estranhos. A gente realizava reuniões em igrejas, em bares discretos, caminhando pelas ruas, nas casas de amigos. Chegamos a realizar reunião até em motel, com no máximo quatro pessoas. O medo é que a polícia estivesse espiando atrás dos espelhos”, relata.