pedrovalle
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Dois de maio de dois mil e treze. Tarde de excursão e bagunça em Contagem. Trezentas crianças da Escola Municipal Maria do Amparo, do bairro Industrial, tomam conta do Big Shopping e vão ocupando as salas de cinema. As mais novas, no entanto, permanecem na porta, esperando a chance de tietar um dos atores do filme que será exibido. O ator é Pedro Valle, tem 14 anos e, na verdade, é um colega da mesma escola. Nacionalmente conhecido após o longa, ele mostra ansiedade: “É como se fosse o dia da estreia, todos meus amigos vão me ver”, conta à reportagem do Jabuticaba minutos antes da exibição de “Meu Pé de Laranja Lima”, que estreou dia 19 de abril nos cinemas do país.

As luzes se apagam e os gritos por Pedro tomam conta do ambiente. A primeira aparição do ator foi suficiente para agitar daqueles, que, segundo ele, ainda não estavam ainda acreditando na sua participação no filme. Sempre que Pedro aparecia na tela, o alvoroço recomeça para aquele que foi escolhido, entre crianças de todo o Brasil, para o papel de Totoca, irmão mais velho do protagonista Zezé, tendo a honra de atuar ao lado de consagrados artistas como José de Abreu e os mineiros Fernanda Vianna e Eduardo Moreira, do Grupo Galpão.
Estudante do 9o ano do ensino público em Contagem, Pedro descobriu o teatro aos oito, quando a psicóloga da sua escola chamou a atenção de Gisleny Valle, 45 anos, mãe do ator. Segundo ela, dona Gisleny “tinha um artista em casa e não sabia”. Sem hesitar e já sabendo que essa era a resposta para as atitudes extrovertidas do filho, ela matriculou Pedro na escola de teatro do NET, em Belo Horizonte.

Pedro tinha 11 anos quando foi selecionado – pelo próprio diretor, Marcos Bernstein – para gravar o “Meu Pé de Laranja Lima” e acredita ter tido sorte ao ser chamado para o papel de Totoca, pois tinha apenas dois anos de estudo teatral. Porém, a pouca experiência não refletiu em seu desempenho, segundo sua irmã, Nyalla Valle, 20, que largou os estudos para acompanhar o caçula nas filmagens: “foi uma grande oportunidade, ele mergulhou de cabeça, deu conta do recado e nos deu muito orgulho”, tieta.

Meu Pé de Laranja Lima

O filme foi baseado no clássico “Meu Pé de Laranja Lima”, do escritor José Mauro de Vasconcelos, lançado em 1968. Considerado um dos livros mais indicados da literatura infanto-juvenil do Brasil, já foi publicado em 19 países e traduzido para 52 línguas, além de ter sido adaptado para três telenovelas, um filme e uma versão ilustrada em quadrinhos, lançada na Coréia do Sul em 2003.

Segundo Pedro, a leitura da obra foi adiada até hoje pois ele queria assistir primeiro ao filme finalizado. “Agora que vi, vou ler e conferir o que ficou igual e o que o Marcos adaptou”, afirma. Inspirado na infância do escritor, o enredo envolve um encontro entre realidade e o imaginário de Zezé.

Mesmo com uma grande família, casa cheia e rodeado de pessoas, o sonhador Zezé acaba se tornando uma criança carente de afeto. Ele é apontado pelo próprio Totoca como o ‘Diabo’ quando não entende os problemas financeiros enfrentados pela família. Em meio aesse cenário instável e de constantes agressões, o protagonista encanta o público ao conservar a inocência de uma criança e a esperança de que o seu mundo fantástico possa amenizar os conflitos da vida real.
Até o ano passado a única releitura cinematográfica da obra era de autoria do diretor Aurélio Teixeira, que também estrelou como o rico ‘Portuga’, em 1970. Na nova produção, Bernstein quis criar uma versão mais atual, sem fugir do clássico literário, mas trazendo uma nova visão para a história.