Fiquei observando as reações e o posicionamento dos meus colegas nas redes sociais após a reeleição de Dilma Rousseff presidenta do Brasil. Fiquei feliz, pois percebo que a política está se tornando parte do nosso cotidiano de discussões. Mas ainda me preocupo ao ver os diversos comentários de difamação ao próximo.

Dilma dará continuidade a um projeto político de pelo menos 16 anos. Um período mais longo do que o primeiro governo de Getúlio Vargas. Dilma foi vitoriosa depois de enfrentar o mais selvagem massacre político de nossa história republicana.

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Presideta Dilma foi muito aplaudida em Contagem

Tivemos uma guerra, que pregava o boicote à Copa do Mundo para desmoralizar a presidenta e impedir a reeleição. Tivemos cenas explícitas de arrogância internacional contra o governo, liderada pelas revistas The Economist e pelo Financial Times, que definiu a sucessão presidencial como uma “guerra, a batalha final pelo controle da sétima economia do mundo.”

Sem dizer que Dilma encarou uma delação premiada cronometrada para jogar supostas denúncias de corrupção da Petrobras no colo do governo – assim que o eleitorado estivesse a caminho das urnas, e os depoimentos mais graves pudessem ser divulgados em ambiente de escândalo e desgaste.

Uma campanha incomum, a vitória de Dilma permite poucas comparações úteis. A mais apropriada possivelmente tenha ocorrido há 59 anos. Em 1955, quando as eleições se resolviam num único turno, Juscelino Kubitscheck foi vitorioso com 35,6% dos votos. O udenista Juarez Távora ficou com 30,2%.

Adversários de JK permitiram que o novo presidente tivesse um início de governo traumatizante e acidentado, inclusive por duas tentativas fracassadas de golpe militar. Enfrentando todas essas dificuldades, Juscelino entrou para a história como um dos grandes presidentes brasileiros.

Voltando para o presente, uma eleição extremamente difícil em um país onde os políticos são criminalizados cotidianamente, alimentando narrativas de corrupção, intrigas e trapaças que ajudam a esconder os verdadeiros interesses de política econômica e partilha da renda disponível em disputa, Dilma deixou claro onde se encontrava. Não fez isso em exercícios de grande oratória, que diga de passagem não é o seu forte, nem em lances espetaculares de marketing, que só funcionam quando conseguem dialogar com a realidade. Foi vitoriosa porque podia falar em nome de um governo que, com altos e baixos, chuvas e trovoadas, não se afastou dos interesses das grandes maiorias do mundo do trabalho, do salário e do emprego e da periferia. Foi a realidade dessas pessoas que derrotou os profetas do apocalipse. Essa é a mensagem da vitória de domingo [6 de outubro]. Tão antiga e tão atual como o primeiro governo Lula.

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Presidenta Dilma, governador Fernando Pimentel, Prefeito Carlin Moura e o vice-governador Antônio Andrade

Doze anos após a chegada de Lula e Dilma ao Planalto, está claro, muito claro, que nem o país nem o PT chegaram perto de ter descoberto a fórmula do governo perfeito. Mas comprovou-se que seus adversários pouco têm a dizer à maioria dos brasileiros, num silêncio que aumenta na mesma proporção que se desce na pirâmide social. Num desses momentos de humor que permitem o relaxamento após uma vitória dramática, os Dilmistas se divertiam, na noite de domingo, com a notícia de que o eleitorado que deu a Aécio Neves sua maior vantagem reside em Miami.

E essa baixaria nas redes sociais, onde muitos falam em desistir do Brasil, em morar em outros países, é conversa pra boi dormir. Eles só gostam de ir para a Europa para fazer turismo. Não gostam de limpar a própria privada. Muitos deles nunca fizeram nem sua própria cama. Como suportariam uma vida aonde precisam limpar a própria casa e há tão poucos sinais de diferenças de classe? E o sentimento de pertencer a uma classe superior, que alimenta suas existências fracassadas? Como fica? Não. Eles não vão.

Não, nem pra Miami. Em que outro país do mundo civilizado eles poderiam ainda ter uma empregada doméstica? Certamente não nos EUA. Em que outro país eles poderiam manter um exército de miseráveis a explorar com o salário mínimo brasileiro? Faxineiras, babás, lixeiros, policiais filhos da classe baixa explorados como escravos para proteger seus patrimônios, morrendo e matando outros miseráveis… Não, eles não vão.

É por isso e muito mais que eles vão ficar. Eles sempre vão ficar. Eles não vão lutar de peito aberto porque são covardes. E vão querer que a mídia faça o serviço sujo por eles.Neste segundo mandato, Dilma tem obrigação moral de combater a miséria da informação. A informação é um direito humano que tem sido negado ao povo brasileiro.

E quando falo povo, refiro-me também à classe média, vítima histórica da manipulação da mídia. É ridículo que a classe média brasileira se identifique com as elites do nosso país. A classe média deveria se identificar com seus iguais, a classe trabalhadora.O sujeito ganha dez mil reais por mês e acha que, por isso, não faz mais parte do povo? Ora, a elite brasileira é uma das mais ricas e poderosas do mundo.

Velhas ideias pregadas pelas as falsas informações elitistas de separação “norte” e “sul” e “uso político” do Bolsa Família, apesar de São Paulo ser o estado que mais recebe recursos do programa do governo federal e ter se mostrado reduto absoluto do PSDB, como explicar? Contra fatos não há argumentos.

Mas o que realmente explica a massiva votação que Lula e Dilma recebem do Nordeste nas últimas quatro disputas pela Presidência? Simples, analisando o quanto a região se desenvolveu absurdamente na economia, na educação, na saúde, nos investimentos que atrai, na força do seu mercado, na inclusão social e mudança da pirâmide de renda.

O quanto o governo Lula e Dilma (2003-2014) transformou a região muito, mas muito além do Bolsa Família, beneficiando todos os extratos da população nordestina e colocando no mapa uma região historicamente negligenciada.

É claro que o Nordeste ainda tem muito para avançar, no controle da violência, nos indicadores sociais e econômicos e cresce acima da média brasileira justamente porque passou tanto tempo esquecido e tem tanto para melhorar. Responsabilidade compartilhada entre a União, estados e municípios.

O mérito inegável da Dilma, que uma parcela felizmente minúscula da população, repleta de ódio e estupidez, prefere ignorar, é colocar a região de volta no caminho de protagonista do Brasil. Mas não vou me estender a números e dados. Mas essa é a explicação.

E é claro que a diferenciação social também faz parte da explicação. É de a natureza humana buscar distinguir-se em meio à multidão ostentar riqueza só é distintivo porque poucos são ricos e muitos não são. No célebre ato falho cometido por Danuza Leão, “ir a Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça?”

Criticar, fazer oposição é uma atividade saudável para uma democracia. O que não pode, é falar sem procurar ao menos saber o mínimo. Porque ai não é mais oposição e sim difamação. Para muitos o politico só se torna bom para si, quando ele de alguma maneira muda sua vida, interfere no seu dia a dia. Muitas pessoas são incapazes de olhar para o lado, de olhar o que foi feito para o próximo. Então se você não precisa de uma bolsa, se você não precisa de um financiamento, se você não precisa de um automóvel popular com IPI reduzido, se você não precisa colocar seus filhos nas escolas públicas, às vezes você não tem a real dimensão do que está sendo feito de bom.

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Presidenta Dilma, governador Fernando Pimentel, vice-governador Antônio Andrade e prefeito Carlin Moura