Atravessar toda a cidade de Belo Horizonte para chegar a Contagem pode ser, às vezes, mais fácil e mais barato do que se locomover de um bairro contagense a outro. Apesar de sua grande população, intenso volume de transporte e da necessidade de articular as diferentes regiões da cidade, Contagem ainda tem tarifas de transporte que pesam para parcelas da população como, por exemplo, os estudantes.

Proposta para ampliar acesso da juventude ao transporte avança no legislativo
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Proposta para ampliar acesso da juventude ao transporte avança no legislativo

Por isso, os jovens do município abriram negociação com a Câmara Municipal e a Transcon para concretizar a proposta de meio passe estudantil na cidade. A referência é o projeto de lei do vereador licenciado Paulo Prado (PCdoB), que ainda não está em tramitação. Com a saída de Prado do Legislativo para assumir a Secretaria de Esportes, a vereadora Silvinha Dudu (PCdoB), atendeu ao pedido dos estudantes para levar o projeto à frente.

Em março, o assunto foi motivo de uma audiência pública na Câmara. Cerca de 300 estudantes ocuparam a Casa para levar suas reivindicações. Segundo a presidente da União Colegial de Minas Gerais, Isadora Scorcio, a luta pelo meio passe intensificou-se nos últimos meses: “A mobilidade da juventude urbana é imprescindível. O transporte de Contagem, além de ser caro, não possui opções para diversos bairros mais afastados, não há linhas suficientes para o Eldorado ou para o Centro, quem mais sofre com isso são os estudantes”, reclama.

Participando da Audiência, a empresa de trânsito de Contagem, Transcon, sinalizou que é possível avançar nas negociações para o meio passe.

LUTA NA RMBH

Assim como em diversas cidades do Brasil, a luta pelo meio-passe em Contagem é antiga, mobilizando jovens de diversas gerações. Segundo a Câmara Municipal, o primeiro projeto de lei nesse sentido foi criado em 1990. Posteriormente, novas propostas foram apresentadas, com a mesma reivindicação, nos anos de 1996, 2004 e 2008.

Em BH, o meio-passe foi instituído em 2011, para uma pequena parcela de estudantes carentes em BH, levando à necessidade de uma política integrada para a mobilidade da juventude em toda a região metropolitana.

Para a presidente da UCMG, a criação da comissão na Câmara de Contagem não é o suficiente. “Precisamos envolver ainda mais gente, levar o debate a todas as regiões da cidade”, afirma. O movimento estudantil planeja realizar eventos nos bairros mais afastados do centro, convocando os moradores e jovens para opinarem sobre o meio-passe na cidade.