O Brasil deparou-se, nas últimas semanas, com uma inesperada mobilização popular, por todos os estados e todas as regiões, na luta por mais direitos, qualidade dos serviços públicos, como saúde, educação e combate à corrupção. Os protestos vêm mostrando muita força e tiveram altos e baixos até agora. Manifestações pacíficas ocupam espaço também ao lado cenas de violência, abusos da polícia militar, ação de alguns grupos depredando o patrimônio público e até episódios de intolerância política gerando agressões injustificáveis.

Mobilização pelo Brasil mostra população em pleno exercício da cidadania, em Contagem não é diferente
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Mobilização pelo Brasil mostra população em pleno exercício da cidadania, em Contagem não é diferente

No entanto, em meio ao turbilhão de acontecimentos, o saldo das manifestações mostra a população brasileira em pleno exercício da sua cidadania, buscando participar e interferir na política de forma positiva. Contagem não ficou de fora das manifestações e saiu nas ruas na sexta-feira (21) e sábado (22). Ao todo milhares de pessoas marcharam para exigir melhores condições dos serviços públicos.

Entre as principais pautas do movimento está a redução das tarifas do transporte, uma bandeira que ganhou força total com a campanha pela revogação do preço dos ônibus em São Paulo, de R$3,20 para R$3,00. Os movimentos obtiveram essa vitória no último dia 19 de junho. Porém, a mobilização continuou, ganhou novas ideias e propostas por todo o canto.

O prefeito de Contagem, Carlin Moura, anunciou a redução no valor das passagens do município no município na última quinta-feira (20). A partir do dia 1o de julho, as passagens de ônibus municipais da cidade será reduzida para R$ 2,75.

Segundo Carlin, a redução das passagens do transporte coletivo só foi possível mediante as desonerações concedidas pelo governo federal sobre a folha de pagamento e a contribuição do PIS/Cofins, juntamente com as desonerações tributárias que o município irá promover para garantir a redução na tarifa.

Para Carlin, não há como não reconhecer e dialogar com a voz das ruas: “O povo está correto. Precisamos garantir preços públicos mais justos para que possamos ter um desenvolvimento mais sustentável e para que a população e os trabalhadores possam ter um custo de vida menor”, declarou em entrevista à Rádio Vermelho.

O prefeito explicou que a redução vem ao encontro das desonerações tributárias que o governo federal concedeu através da Medida Provisória 607 – que reduz o valor do PIS/Cofins e também reduz a tributação na folha de pagamento. Ele disse que a Prefeitura também irá promover desonerações tributárias de seus impostos municipais, através de um projeto de lei que será encaminhado a Câmara dos Vereadores. Segundo Carlin, as medidas visam uma passagem mais acessível aos trabalhadores.

“As manifestações estão sintonizadas com o sentimento da população de um país melhor e mais desenvolvido, com um custo de vida mais em conta para os trabalhadores e para as famílias. O governo da presidenta Dilma teve uma iniciativa importante quando propôs a desoneração, mas isso tem que se refletir na redução da passagem”, disse o prefeito.

Desafio é atingir conquistas objetivas

As manifestações que se espalharam pelo país começaram focando o valor das passagens no transporte público e, agora, tem o desafio de conquistar novas vitórias objetivas para o futuro do país. A crescente organização da população começa a se aproximar das demandas históricas dos movimentos sociais, como a luta pela saúde e educação públicas e de qualidade no país.

Segundo o presidente do PCdoB Renato Rabelo, em entrevista ao Jabuticaba, as manifestações apontam, entre outras coisas, para a necessidade de uma reforma urbana no país, com especial atenção ás grandes cidades e seus problemas estruturais: “As cidades em nosso país cresceram rapidamente, sem conseguir contar em tempo com estruturas adequadas para responder a essa galopante transformação, provocando assim uma concentração de graves problemas sociais — tornando-as inóspitas para seus habitantes — sobretudo para os que vivem nas suas periferias”, declarou.