carlin
  • Facebook
  • Twitter

Com uma linda campanha, Carlin se tornou o principal prefeito da história do PCdoB no país.

Em 1998 aconteceu o que pode ser considerado o “casamento do PCdoB com Contagem”, como descreve Kerison. Uma turma grande de jovens que se organizavam principalmente pela Gincana e que até disputava o movimento estudantil em oposição aos comunista aderiram ao PCdoB. Muitos dos membros da atual gestão da Prefeitura vieram deste período, como o atual presidente do PCdoB e secretário de governo Rodrigo Cupim.

“Formávamos uma turma de amigos que era muito conhecida em Contagem. Participávamos de todos os tipos de atividades na cidade e organizamos uma entidade estudantil. Tínhamos também uma rádio que fez muito sucesso na cidade”, conta Cupim.

Na entrada dos anos 2000 começaram os desafios do PCdoB tendo como aposta eleitoral o jovem advogado Carlin, ainda sem o Moura. Ele saiu candidato a vereador, mas conquistando sua eleição apenas em 2004, quando foi o mais votado na coligação que também elegeu a prefeita Marília Campos, do PT. Com um mandato que entrou pra história do legislativo, dois anos depois Carlin se elegeu deputado estadual, cargo que se reelegeu em 2010, quando foi o mais votado deputado da cidade.

Depois de tanto acúmulo histórico e político, o PCdoB de Contagem escreveu uma das páginas mais bonitas dos comunistas em todo o país. À frente de uma ampla coligação, Carlin Moura se elegeu prefeito com uma votação histórica.

A abertura política dos anos 80

Quando o Brasil começava a enxergar uma abertura política, os militantes do PCdoB, ainda na ilegalidade, uniram forças com o MDB, a única legenda que fazia oposição à Arena, partido dos militares. Os comunistas acabaram se abrigando legalmente no MDB, que teve uma sede em Contagem, na Cidade Industrial, durante as eleições de 1978. Nesse ano, foi lançada uma chapa com candidaturas populares, as quais encabeçadas por vários comunistas, fazia parte da ala esquerda do MDB, chamada de Bloco Popular. Era o retorno à política institucional, que seria consolidada com a reconstrução oficial do PCdoB algunas anos depois.

arquivo_carlin
  • Facebook
  • Twitter
Logo no início da década de 80, o partido já formava quadros importantes em Contagem. Uma dessas pessoas é o atual secretário de Meio Ambiente do município Ivayr Soalheiro, que foi militante da UJS e do PCdoB naquele período. Segundo Ivayr, o PCdoB inaugurou sua primeira sede após a ditadura em uma pequena sala de 36 m2 no quarto andar de um prédio na Rua Cincinato Cajado Braga. “Tínhamos uma bandeira, uma mesa, cestas básicas que alguns militantes doavam para outros colegas que estavam desempregados e um monte de roupas usadas que usávamos para fazer bazares e arrecadar fundos para manter a sede”, lembra.

Aos poucos, os comunistas mais jovens também começaram a militar nos movimentos estudantis, tendo fundado grande parte dos grêmios da cidade. “Participamos das eleições diretas para a diretoria das escolas municipais e pela melhoria do ensino das unidades da Funec, quando os professores entraram em greve, em 1987. Em uma manifestação que fizemos quase fui preso, por muitos dias tive que fugir da polícia”, revela Ivayr.

Os anos 90 e a construção de um grande partido

A chegada dos anos 90 trouxe uma nova cara para o PCdoB. O país vivia uma grande crise com o governo Collor. Depois de dois anos de um desastrado mandato, o presidente sofreu o impeachment aprovado pelo Congresso e motivado pela mobilização de milhões de jovens brasileiros. Um dos líderes desse movimento foi o estudante contagense Carlin Moura, hoje prefeito de Contagem.

Carlin chegou em Contagem em 1979, vindo com a família pra tentar a sorte na cidade grande, deixando pra trás sua pequena Virgolândia. Trabalhou desde cedo na Padaria Pai-Pai, de propriedade de sua família e que até hoje funciona no Bairro Amazonas. Depois de passar por outros colégios, começou a fazer o curso de eletrônica no Cefet. Quando terminou o curso, foi fazer Jornalismo na PUC e Direito na UFMG. Foi nesse momento que intensificou sua participação política, sendo eleito vice-presidente da União Nacional dos Estudantes.

Após liderar as manifestações do Fora Collor, foi designado para comandar o processo de reestruturação do PCdoB em Contagem. Sua principal iniciativa foi incentivar a organização dos movimentos populares, principalmente do movimento estudantil. Um ano à frente da nova tarefa, foi fundada a União Municipal dos Estudantes da cidade, e a força da juventude local foi tamanha que a Contagem elegeu o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, o aluno da Funec Inconfidentes, Kerison Lopes.

“Eu cheguei A Contagem em 1992. Já era filiado ao PCdoB em minha cidade, mas foi aqui que pude participar do movimento estudantil e intensificar minha militância”, conta Kerison. “Como era vizinho do Carlin no Bairro Amazonas, desde que o conheci passamos a ter uma atuação muito próxima. O Partido estava se reorganizando e a juventude tinha papel central”, relembra.

Segundo o comunista, naquele período muitos jovens contagenses iniciaram sua vida política através do movimento estudantil. “Iniciamos um movimento que tomou conta da cidade inteira. Praticamente todas as Funecs criaram seus grêmios e nos congressos estudantis nacionais Contagem levava sempre uma das maiores bancadas”, lembra Kerison.